Aprendendo a dizer sim

"Tudo no mundo começou com um sim", escreveu Clarice Lispector em "A hora da estrela". Há alguns anos não pensava nessa frase, que sempre teve um peso forte na minha consciência. Eu, uma pessoa habituada a dizer "Talvez" e "Não", raramente um "Sim". Logo, uma vida sem muitos começos.


Porque me ensinaram que dizer sim para tudo era algo ruim, que eu deveria ser mais seletivo com os convites, propostas, que eu deveria ponderar, pensar antes. Acontece que não há como saber, mesmo depois de muito tempo pensando, se para o que dizemos sim será melhor do que para o que dizemos não, só dizendo sim saberemos disso. 

Às vezes nos magoamos muito depois de termos dito o tão esperado sim, que tanto achamos ter sido especial, porque haviam sinais, porque parecia a hora certa, a pessoa certa ou a escolha certa, mas o que determina isso? O que faz disso uma garantia de que será bom, se não podemos ver o que está por vir?

Eu não pude deixar de pensar, quantas boas experiências eu perdi quando disse "talvez" e "não", deixando o momento passar por mim? Quantas experiências ruins, que poderiam ter me ensinado mais, eu deixei de ter? E não estive preparado para quando as coisas para as que eu disse "sim".

E foi aí que senti o medo se afastar de mim, substituído por um sentimento de aventura. Tando que eu poderia viver, tanto que eu poderia fazer, com uma palavra. A vida é mais interessante agora que estou aprendendo a dizer sim, não apenas para os outros, mas para mim.

Leia também: Doença sem cura

Comentários