Preocupações

Eleonor tira o calendário da parede e pendura o novo. Ela torce para não depená-lo com tanta tristeza como fez com o do ano passado. A passagem do ano veio com um lembrete “Já faz um ano que você terminou seu doutorado”.


Até agora nada de emprego. O noivado acabou, porque não fazia sentido continuar. Mas ela já estava a perguntar quando sua vida ia começar. Estudar sempre foi fácil, dedicou boa parte de sua vida aos estudos.

Agora as amigas estão se gabando do casamento, começando a reproduzir e perguntando “E você?”. Começou a se preocupar com a maternidade, nunca tinha pensado nisso antes, se queria ou não ser mãe.

Agora parecia que o dia do ultimato estava cada vez mais próximo, um marido iria querer filhos, mas e se ela não pudesse mais tê-los, aliás, cadê o marido? Teria que começar tudo de novo, desta vez com outro homem, mas ainda estava cansada do antigo.

Olhando para o vinho dentro da taça, o apartamento imerso em silêncio, Eleonor pensou mais e mais sobre as cobranças. Dela para consigo mesma, da mãe sobre ela, das amigas, da sociedade. Estava cansada.

Ao fim da garrafa sentiu vontade de dançar, por que não havia música?! “Ah, não posso resolver nada disso agora, vou pensar nisso amanhã”. No outro dia não havia nada para pensar além da ressaca.


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