Outro adeus

Mais uma vez há coisas que não foram ditas, e que provavelmente nunca serão. Eu estava aqui esperando algo que eu sabia que não aconteceria, mas você não deve me tomar como trouxa. Eu já fiz isso tantas vezes agora que me tornei bom a ponto de enganar a mim mesmo e não há quem diga que eu não esteja triste de que isso tenha acabado.


Você é só mais um que vai. Mas saiba que você também foi único, porque cada vez que um de vocês se vai leva uma versão de mim consigo, já que depois eu nunca volto a ser o mesmo. Mudar é bom e nada ensina mais do que o adeus, quando não há mais nada para se tentar e tudo se torna tão evidente, tão poderoso, que a única opção restante é se regenerar.

Às vezes, nós dizemos adeus antes mesmo de começarmos alguma coisa, talvez pela ilusão pedante de que as lições apreendidas são o único guia necessário nesse caminho insólito. E quando não chegamos lá, mais uma vez, o lugar tão comum, que conhecemos tão bem, sem saber porque estamos de volta a ele, será que não tentamos o suficiente? Onde foi que erramos?

Não há muito o que dizer, apenas adeus. Porque quando chega a hora da despedida, todas as palavras já se esgotaram, ou estamos muito atordoados com tudo que se passou que as sentenças perdem o sentido e nos resta apenas uma, a despedida. E eu nunca vou dizer que isso foi fácil, mas já não é mais tão difícil, é apenas um outro adeus.


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