“Vamos ver juntos hoje à noite?”
A pergunta, aparentemente trivial, esconde um pacto solene, o compromisso a dois, a abstenção mútua de assistir sozinhos em troca de compartilhar aquele momento.
E, de repente, há algo pelo qual esperar ao fim do dia, além de te ver, do seu sorriso, de sentir seus lábios e sua barba tocarem meu rosto em um abraço apertado que me afasta da impessoalidade habitual, me roubando de mim um pouco, ou talvez me devolvendo um eu adormecido pelas mazelas da vida.
Sim, além disso, passar tempo com você, vendo algo de que gostamos, ouvindo depois o que o outro achou, conversando e sorrindo até que a rotina imponha a hora de dormir.
E então deitar lado a lado, olhar olho no olho até a escuridão tomar conta do quarto e fechar os olhos sentindo a plenitude na melodia daquele dia, com a harmonia e a sensação de que amanhã a trama continua.
