Na corda bamba

Eu sou canhoto. Embora não estejamos mais na idade médica, onde as pessoas eram queimadas vivas por serem canhotas (porque era coisa do demônio), desde pequeno sofri muito preconceito com isso.


Na escola a implicância das professoras era enorme, mas não teve jeito, só consegui escrever com a mão esquerda. Meu avô materno dizia “e esse menino é canhoto?!” em tom de desdém. Até hoje quando vou assinar algum documento diante de alguém à pessoa comenta “Ah você é canhoto”.

A julgar pela pouca quantidade de cadeiras para canhotos que encontrei ao longo da minha vida nas salas de aula, não existem muitos de nós por ai. Então fui submetido a alguns julgamentos, dos quais saí culpado: Má coordenação motora, por exemplo.

Tive uma fase bem desequilibrada na vida, não digo apenas fisicamente, ainda me recupero da minha personalidade tempestuosa e exagerada, em um minuto bem e no outro em fúria. Quem me conhece de uns anos pra cá nunca imaginaria isso.

Já que hoje ouço elogios do tipo “um rapaz: calmo, centrado, equilibrado, transmite paz...”. Não sei como aconteceu, mas esse meu equilíbrio emocional ainda não é tão estável quanto se pensa, na maioria das vezes me sinto em uma corda bamba, tentando me equilibrar diante dos acontecimentos.

A corda balança muito e a torcida pra que você caia existe, mas eu decidi que preciso do meu equilíbrio pra mim, não pelos outros, e reforço cada vez mais a minha busca por ele. Nunca serei “direito” como a maioria, mas pra mim, ser “esquerdo” é muito mais normal.

Leia também: O copo e a tempestade

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