“Eu te amo Waylla”

Ao ouvir o som das palmas na porta de casa, Nonata pergunta “Quem é?”, quando ouve que os três rapazes a sua porta eram conhecidos da vizinha e amiga, Edineia, pede que apareçam na janela e em seguida os convida a entrar.
A primeira coisa que o visitante vê ao entrar na casa de Nonata é a frase “Eu te amo Waylla”, pintada em cor de rósea na parede da sala.

Nonata começou nos contando sua história, ela veio de Valença, interior do Piauí, morava de aluguel em outro bairro da zona sul de Teresina. Quando recebeu a casa no Teresina Sul I, em agosto de 2012, não pode esperar nem mais um segundo. O companheiro de Nonata é caminhoneiro e estava em viajem, ela e os filhos chegaram ao Conjunto Teresina Sul I e se depararam com ruas desertas, casas com portas e janelas fechadas.

Durante os primeiros quatro dias, Nonata e os filhos, ficaram na casa nova, que sequer tinha água e energia elétrica, até que finalmente, foi feita a ligação. Ela chegou ao Teresina Sul I grávida, uma gravidez complicada, cheia de idas ao médico.

Logo de início pode contar com o apoio da vizinha que mora ao lado, Maria, que ficava cuidando dos filhos de Nonata quando ela tinha que ir à Maternidade Evangelina Rosa, para passar por atendimento médico. Até que a pequena Waylla veio ao mundo, depois de um grande sufoco.

Nonata começou a sentir as dores do parto e avisou ao companheiro Oliveira. Como as ambulâncias normalmente se recusam a ir até o bairro, devido à distância, o futuro papai de Waylla chamou um táxi e prometeu ao motorista que, se a criança nascesse no banco de trás do táxi, ele pagaria um novo estofado para o motorista.
            
Logo após Waylla ter nascido, Oliveira teve que viajar, deixando Nonata sozinha, de resguardo. Se não fosse a vizinha, Nonata não sabe o que teria acontecido.

_ A vizinha foi quem me ajudou, limpava a casa, cuidava das crianças e fazia a comida.

E é assim que Nonata descreve o seu relacionamento com os vizinhos, conhece todos, e juntos participam de ações para melhorias no bairro.

_ Estou só esperando a Waylla endurecer mais, para ir reivindicar a conta de energia que está muito alta.

As dificuldades de ter que cuidar dos três filhos sozinha, quando o companheiro está viajando, seriam ainda maiores se não fosse pela vizinha. E é esse senso de comunidade que Nonata e Maria passam sobre vida no bairro.

Hoje, Nonata conhece todos os vizinhos e fala sobre a formação da associação de moradores, que as eleições para presidente acontecerão em breve e que os vizinhos têm muitas reivindicações para fazer junto à prefeitura de Teresina, a procura de melhorias para o bairro.
            
Algumas das melhorias que já foram feitas, foram fruto de protestos dos moradores, como a implantação das três linhas de ônibus coletivo que prestam o serviço público de transporte no Teresina Sul I.

Os moradores pretendem também conseguir a implantação de um posto de saúde, uma creche e uma praça para as crianças brincarem, atualmente não há um espaço recreativo para as crianças que moram no Teresina Sul I.

Essa falta de praça ou parquinho para as crianças brincarem, não impede a meninada de se divertir na calçada de suas casas no fim de tarde. Algumas crianças do bairro se reúnem à porta da casa de Nonata para brincar com os dois filhos maiores dela, Rosa e Caio.

Com Nonata atarefada com a pequena Waylla, é a vizinha Maria que fica responsável pelas crianças.

Depois de ouvir a história de Nonata, ao olhar novamente a frase “Eu te amo Waylla” na parede da sala, o visitante percebe que não está entrando apenas em uma casa, ele percebe que ali existe um lar.

*Esse texto é um dos capítulos integrantes do livro reportagem "Vida em conjunto" dos autores Lucas Marreiros, Artur Vasconcelos e Sidney Cardoso. O livro aborda a vida de alguns residentes do conjunto habitacional Teresina Sul I

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