Boca da Noite


Carlos é uma pessoa sexual. Ele descobriu isso quando, ainda pirralho, entrava em salas de bate-papo de conteúdo adulto e tinha conversas sórdidas demais, até para homens mais velhos. Não há como dizer se ele aprendeu a ser assim ou se o é genuinamente.

O que se sabe é que Carlos chegou naquela festa como em todas as demais, seguro e confiante de si mesmo, com um visual básico e despreocupado. Passou pelo portão de frente a praça, ao lado do teatro, e foi entrando no espaço, observando o ambiente cheio de diferentes estilos, etnias, classes sociais e gostos musicais. Ali se misturavam, quarta-feira á noite, depois de um dia de trabalho ou depois da aula, pessoas procurando música e diversão. O local estava lotado e todos se espremiam no bar para comprar cerveja e cigarros. Carlos observou as garotas e os garotos que rodeavam o balcão e pensou em flertar um pouco só para poder se aproximar mais e comprar sua cerveja e seu Marlboro. Analisou friamente quem iria ceder mais facilmente, o rapaz afeminado com os livros universitários embaixo do braço ou a moça hippie de cabelos ruivos e saia longa. Esboçou um sorriso. Aquele sorriso dissimulado já lhe abrira muitas portas e lhe dera bastantes oportunidades. Não foi diferente: o rapaz e moça eram amigos e os dois se ofereceram para comprar o que Carlos queria. Como havia chegado sozinho e não vira um amigo, Carlos aceitou a oferta do rapaz, Tiago, e da moça, Beatriz, e ficou andando com eles pela festa, tentando ter uma conversa. Uma banda regional apresentava uma mistura de samba, reggae e rock, que fazia alguns dançarem as mais diferentes coreografias em frente ao palco. Chegando a parte de trás, o local estava escuro, e alguns casais aproveitavam esse clima. Carlos, Rodrigo e Beatriz ficaram próximos à parede, no canto escuro e continuaram a conversar, beber e fumar. Carlos se encostou à parede de frente para os dois amigos, jogou o cigarro no chão e o apagou fazendo um movimento com o pé e, em seguida, deu um último gole na cerveja, pondo a garrafa vazia no chão. Envolvida por algo, que Beatriz não sabia ao certo, ela se aproximou de Carlos e o beijou. Carlos retribuiu o beijo. Rodrigo se aproximou de Carlos e Beatriz e também os beijou. Minutos depois, os três pararam,  olharam-se e riram.

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