Sem propósito

Outro dia me deparei com uma pergunta direcionada aos ateus “Ateus, como é viver uma vida sem propósito?” Estou longe de ser ateu, acredito em um Deus diferente do que a maioria das religiões descrevem, mas acredito em Deus.
Pollock - Number 8 (1949)*


Nunca passaria pela minha cabeça fazer essa uma pergunta a um ateu, até mesmo porque eu não acredito que por não haver um Deus na vida dessa pessoa ela não tenha um propósito. Somos diferentes em muitos aspectos e muitas vezes o que dá sentido a vida de um não tem nenhum sentido a vida do outro. 

Vagamos pelo mundo procurando sentido nas coisas e cada um tem seus achados e suas perdas. Alan J. disse “Um artista pinta seus quadros sem propósito, atividades são válidas por elas mesmas, e não porque atendem a algum propósito transcendental.” Mas eu não fiquei pensando no que daria propósito ou sentido a vida dos ateus. 

Eu também não quis refletir sobre um assunto complexo como qual é o propósito da minha vida e o sentido, esse assunto até me assusta um pouco. Eu pensei sobre escrever. Diversas vezes me perguntei, ao escrever um texto, sobre qual seria o sentido, sobre qual seria o propósito. 

Então eu friso a frase citada anteriormente “Um artista pinta seus quadros sem propósito” o trabalho da escrita não é muito diferente, afinal não está tudo pronto, não da pra saber como vai ficar. No desenrolar da atividade a coisa vai ganhando forma e, ás vezes, sentido. Mas, como eu disse antes, o que faz sentido para um não necessariamente faz sentido para o outro. 

Esclarecido isso, quero me desculpar com as palavras que deixei de usar, com as frases que deixei de formar, com as histórias que deixei de construir. Tudo porque achava que aquilo não teria sentido para outras pessoas, quando na verdade eu estava negligenciando a mim mesmo, me privando do meu sentido, do meu propósito ao escrever, que é a liberdade de dizer o que eu quero dizer. 

A partir de agora mais textos sem propósito e sem sentido virão, sem censura minha ou de qualquer pessoa. A escrita nua e crua, esculpida pela mente no ato mais genuíno. 

Leia também: Nossa Culpa

*Jackson Pollock foi um pintor norte-americano e referência no movimento do expressionismo abstrato.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Filmes para quem está solteiro no dia dos namorados

Eu te desejo o bem

Âncora