O Pedido (#Teresina159anos - parte 3)

Meia-noite. Maria estava sem sono. Ela nunca dormia bem no apartamento do seu namorado. Bebeu um copo d’agua e foi até a varanda. Sentou e observou a Avenida Marechal Castelo Branco e a movimentação dos carros. Contemplou o rio, as estrelas, a lua cheia e as luzes da ponte estaiada mudando de cor. Permaneceu ali, observando, até que finalmente adormeceu. Na manhã seguinte, o forte sol da manhã e o tráfego da ponte JK a despertaram. Levantou-se. Chegando ao quarto, seu namorado, Carlos, não estava lá. Perambulou pelo apartamento, procurando-o, e encontrou um bilhete na porta da geladeira, que dizia: “estava tão linda dormindo que fiquei com pena de acordá-la. 

Fui correr na Av. Raul Lopez. Almoçamos juntos?” após ler o recado, foi banhar e se preparar para o trabalho.

 - Liguei para sua casa ontem e me disseram que você estava no apartamento do Carlos - Ana, amiga de trabalho, ironicamente, disse.
 - Estava. - Maria ri
 - Vocês namoram há anos, você está sempre no apartamento dele... O que está faltando para vocês se casarem?
 - Não sei.

Mais tarde, Maria encontra Carlos no restaurante que os dois costumam frequentar. Carlos nota que Maria está mais quieta do que nunca.

 - Aconteceu alguma coisa no trabalho? - Carlos pergunta
 - Não.
 - Aconteceu alguma coisa com a sua família?
 - Nada de importante. Minha prima foi pedida em casamento.
 - Amor, você tem muitas primas.
 - Não importa qual delas é. É mais um casamento que nós temos que ir.
 - Você tem alguma coisa contra casamentos?
 - Eu não. Você tem?
 - Também não.

E o restante do almoço acontece ao som dos talheres e da conversa das outras pessoas em outras mesas.

Eles são um casal do tipo saudável: ele corre, ela pedala e eles, vez ou outra, praticam outros esportes que vão de natação a rapel. Na noite em questão, eles praticaram rapel na ponte estaiada, lado a lado.

 - Maria! - Carlos grita.
 - Você quer descer? - Pergunta Maria
 - Não, eu quero casar. Casa comigo? - Carlos tira do bolso da camisa uma caixa aberta com um anel. Maria, surpresa, solta sua corda durante alguns segundos, descendo bruscamente.
 - Seu idiota, não poderia pedir como qualquer outro cara?  - Consegue segurar-se novamente na corda.
 - Claro que eu caso. Os dois se aproximam emocionados e se beijam. As pessoas presentes vibram aplaudindo. Algumas mulheres dão um empurrãozinho em seus acompanhantes.
 - Ah, amor - diz Carlos quando eles chegam ao chão - é mais um casamento que nós temos que ir.

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