Novidade (#Teresina159anos - parte 5, final.)

Tenho uma teoria que todo teresinense adora falar de calor. Chego à estação de metrô da Frei Serafim e, carente de conversa, suando o Parnaíba e o Poty inteiro, digo:

_Hoje está quente demais. _ Digo como se algum dia não estivesse.
_Ave Maria, nam, demais! _ O calor deixa de ser um monólogo com essa delícia de sotaque Teresinense. Depois que me deram corda, eu não poderia parar por aí, né?!
_É esse aquecimento global que ainda derrete essa cidade. _ Desde que descobriram o aquecimento global, ele é o culpado.
_É, está muito quente -  outro rapaz responde. Não há muito que se falar do calor.
Bem, Teresina é atípica, única, no sentido que tem suas próprias estações. O outono e o inverno passam despercebidos; a primavera é estampada na cidade quando os ipês (amarelos, roxos, brancos etc.) assumem suas cores. E o verão? Nosso verão é o “b-r-o-bró”, estação na qual ocorreu essa conversa. Vai chegando o natal e passamos dias sem praticamente ver o sol; no Brasil é verão, em Teresina faz frio. Outro dia, novamente, indo pegar o metrô, usando uma camiseta, apesar de estar morrendo de frio, não coloquei uma camisa de mangas compridas porque me chamariam de matuto e sem costume. Eis que na estação tem gente de jaqueta, o metrô tem ar condicionado e o tempo está chuvoso. Puxo conversa novamente (sou o tipo de pessoa que odeio: o que puxa conversa com estranhos)

_Nossa, que frio! _Longa pausa. Sobre o frio teresinense não há conversa. Se bem que depois, no vagão, ouvi gente reclamando, acredita?!
 - Teresina 159 anos... Já choveu granizo e, com o aquecimento global, esse inverno, em pleno verão (o B-R-O-bró), talvez até neve  - ele afirma, delirando.

Bom, de uma coisa eu sei, se de fato nevar, o que vai ter de gente para cumprir aquelas velhas promessas “no dia que nevar em Teresina” não está escrito. Aí sim teremos outra coisa para falar sem ser do calor. Essa cidade abriga tantas pessoas, quer vivam aqui ou estejam apenas de passagem. 

Abriga várias historias, muitas delas bem cômicas e outras, bem apaixonadas. Todo dia começa como se fosse o mesmo: aquele sol forte, aquele calor que todo mundo adora comentar. Teresina, porém,  é bem mais do que isso. Quem sabe vivê-la sabe disso. Sabe que pode passear pelas ruas e encontrar gente engraçada pregando a bíblia em meio ao mafuá de pessoas que fazem compras. Pessoas que o abortam e dançam pra você, dizendo que você é tudo de bom. Gente que pede um trocado pra completar a quentinha. Gente que te convida para lanchar em uma das (milhares!) lanchonetes chinesas, dizendo que elas tomarão conta da cidade. Gente que você nunca viu na vida te pedindo um abraço no meio da rua...

Quem sabe vivê-la, sabe que tem do que se orgulhar. Teresina é toda limpinha, verdinha, organizada e planejada. É aquela cidade que há quem troque, destroque, mas eu, eu não troco jamais!

O lugar de onde você vem influencia fortemente quem você é. E sentir orgulho e amor de sua terra natal significa sentir orgulho e amor de parte de você. Ame você mesmo, ame sua família, ame sua cidade. Apaixone-se! Você vive no cenário ideal para isso! Um brinde, regado por uma boa cajuína, a nossa cidade. Afinal, cajuína é a champanha do teresinense!

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