Últimas palavras

Muitos não me entenderão, muitos vão me achar fraca. Desde pequena nunca me ajustei, em casa, na escola, com outras crianças. Cresci sempre sozinha e distante, fugindo dos lugares e das pessoas mesmo que fisicamente eu continuasse ainda lá. 
Por fora eu era como todos, mas por dentro havia algo de errado comigo, algo diferente. Vivi minha vida esperando, se é que isso é viver, então direi que passei minha vida esperando, a espera de algo que nem eu mesma sabia o que era. 

Todos os dias eram iguais, não importava aonde eu fosse não importava com quem eu estivesse. Eu não peço que me entendam, eu sei que irão me julgar. 

Diante dos olhos de muitas pessoas eu cometi um erro, o único erro irreparável nessa vida, porém foi o dia em que alcancei o maior prazer de toda a minha vida, eu pus fim a todas as minhas angustias, naquele dia, em uma madrugada solitária como outra qualquer, eu me suicidei*. 

Não haveria volta na minha decisão, mas eu a tomei muitos anos depois daquilo que foi decidido sem a minha escolha, que me trouxe a esse mundo. 

Afinal que livre arbítrio é esse no qual os pássaros são obrigados a voar e os peixes a nadar?! Eu, humana, mulher, angustiada, infeliz e muito mais do que qualquer palavra possa dizer me dei à liberdade, me libertei daquilo que me consumia. 

Até o último suspiro eu ainda não soube se eu me libertei da dor ou apenas de mim mesma.

*O texto acima se trata de um ficção. A personagem e suas opiniões tem finalidade apenas ficcional, não fazendo sentido a realidade. Em casos de tendências suicidas procure um profissional da saúde mental, ele poderá ajuda-lo(a).
Leia também: Quase prostituição

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Filmes para quem está solteiro no dia dos namorados

Eu te desejo o bem

Sem medo